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Breve História do Cálculo Literário

Lucas Bento Pugliesi Nada, à primeira vista, parece mais avesso à literatura do quê a matemática. Ecoa Horácio, como exortação em sua mais famosa ode, 1.11, que não devemos consultar “babilônios números” para saber o porvir. A referência à escrita interpretativa do futuro nos números é tida como ímpia; afinal, saber o futuro é desafiar as Parcas, a quem todos devem prestar contas no que … Continuar lendo Breve História do Cálculo Literário

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Dezenove Princípios Para a Crítica Literária

Anatol Rosenfeld¹ Acusar os críticos de mais de 40 anos de impressionismo, aqueles de esquerda de sociologismo, aqueles minuciosos de formalismo, e reclamar para si uma posição de equilíbrio; Citar em alemão os livros lidos em francês, em francês os livros espanhóis, e, nos dois casos, fora de contexto; Começar sempre por uma declaração de método e pela desqualificação das demais posições. Em seguida, praticar … Continuar lendo Dezenove Princípios Para a Crítica Literária

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Citação literária, para quê?

Lucas Bento Pugliesi Prática das mais recorrentes, e talvez constitutivas da literatura, é a citação. O meio literário tende a configurar um sistema debruçado sobre si, de modo que os textos frequentemente aludem, comentam, contrastam ou endossam seus antecessores em um gesto validador de uma espécie de série de objetos entendidos como parte de um mesmo todo. Assim, uma das principais vias pela qual um … Continuar lendo Citação literária, para quê?

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Com Tinta Vermelha: uma Intersecção entre Memória, História e Ficção

por Juliana Eliezer Na nona de suas “Teses sobre o conceito de história”, de 1940,  Walter Benjamin examina o desenho expressionista Angelus Novus, do pintor alemão Paul Klee, que retrata um anjo de asas abertas, apresentado como se olhasse para o exterior do quadro, e cuja expressão é de inquietude. O “anjo novo” deveria ser o mensageiro de um novo tempo; entretanto, diz o crítico … Continuar lendo Com Tinta Vermelha: uma Intersecção entre Memória, História e Ficção

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Poesia de Facebook e Outras Maravilhas do Capitalismo Tardio

Yuri Wittlich Cortez         Quando eu estava no segundo ano da faculdade, acho que há uns três mil anos já, pegamos pra ler “Narrar ou Descrever?” do Georg Lukács. Recomendo a leitura a qualquer pessoa que goste de literatura; é um ensaio em que Lukács compara as cenas de corrida de cavalos em Ana Karenina e Naná, e demonstra como a posição social dos dois … Continuar lendo Poesia de Facebook e Outras Maravilhas do Capitalismo Tardio

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Machado de Assis e o Teatro de seu Tempo

João Roberto Faria¹            O prestígio intelectual que Machado de Assis conquistou em sua juventude literária não se deveu aos textos de ficção. Ele já estava com 31 anos de idade quando iniciou a publicação de seus volumes de contos e romances. Como se sabe, Contos Fluminenses é de 1870 e Ressurreição, de 1872. Essas duas obras são o ponto de … Continuar lendo Machado de Assis e o Teatro de seu Tempo

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O Golem: Reflexos Populares de uma Antiga Lenda Judaica

Juliana Eliezer         Quando escreveu O Golem (Editora Perspectiva, 2017), publicado pela primeira vez na forma de folhetim, em capítulos, no jornal iídiche americano Jewish Daily Forward, nove anos ainda separavam Isaac Bashevis Singer do Prêmio Nobel que lhe foi conferido em 1978 pelo conjunto de sua obra literária. O autor, ainda pouco conhecido, atualizou a lenda judaica do golem, o gigante de barro, recontando-a … Continuar lendo O Golem: Reflexos Populares de uma Antiga Lenda Judaica

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As Perfeições de Robert Musil

Rafael Rocca “Musil foi um dos mais espirituosos estilistas em língua alemã, aforista de primeira ordem, e em outros trechos, de evocativa força poética”. Com essas palavras, Otto Maria Carpeaux, o grande crítico literário que se fixou em terras brasileiras, define o estilo de Robert Musil no conjunto de sua obra. Artista da palavra, mestre da intrincada psicologia das relações humanas, Robert Musil está renascendo … Continuar lendo As Perfeições de Robert Musil

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Os Animais Domésticos e Outras Receitas

Paella Luana Chnaiderman* Para que não se dissolva no caldo, o peixe deve ser de carne branca e firme, fresco, os olhos vivos em gelatina, sem marcas de sangue ou tempo. Um peixe que conte das coisas do mar, guelras de brilho e escamas de prata. Camarões de sete barbas. Guarda as cabeças. Frango, a carne sobre o fêmur, a carne escura da ave. Um … Continuar lendo Os Animais Domésticos e Outras Receitas

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Uma Prece Escrita É Só a Lembrança de uma Prece: O Inverno de Aharon Appelfeld

Lucas Bento Pugliesi O filósofo do século XVIII Johann G. Herder notabilizou-se, entre outras coisas, por endossar a ideia de que não pode existir pensamento sem linguagem. Para além, o evento linguístico primordial se daria pela emergência da consciência. O ato reflexivo pediria uma ferramenta que lhe permitisse acontecer. Em sua concepção de história, Herder dará especial destaque à linguagem e a cultura que, para … Continuar lendo Uma Prece Escrita É Só a Lembrança de uma Prece: O Inverno de Aharon Appelfeld