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Vivências da Shoah Sob o Olhar de uma Psicóloga

por Juliana Eliezer Em Badenheim 1939, o escritor judeu Aharon Appelfeld, morto no início deste ano, retrata um balneário austríaco emblemático da cultura hedonista do Império Austro-Húngaro, bem como os viajantes que para ali se dirigiam a fim de passarem a primavera e o verão apreciando o clima, a natureza e o festival de cultura germânica que ocorria todos os anos, religiosamente. Entretanto, a ansiedade … Continuar lendo Vivências da Shoah Sob o Olhar de uma Psicóloga

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O Diário de um Mercador Viajante

Juliana Eliezer         Em sua extensa e famosa obra sobre o antissemitismo, o historiador Leon Poliakov esclareceu que foi necessária a passagem de séculos para que compreendêssemos a dimensão da herança cultural que foi deixada por Al-Andalus – a Península Ibérica sob o domínio dos Califados – aos cristãos ocidentais. Fato é que, muito antes da Renascença, período conhecido pelo florescimento das artes, das ciências, … Continuar lendo O Diário de um Mercador Viajante

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O Golem: Reflexos Populares de uma Antiga Lenda Judaica

Juliana Eliezer         Quando escreveu O Golem (Editora Perspectiva, 2017), publicado pela primeira vez na forma de folhetim, em capítulos, no jornal iídiche americano Jewish Daily Forward, nove anos ainda separavam Isaac Bashevis Singer do Prêmio Nobel que lhe foi conferido em 1978 pelo conjunto de sua obra literária. O autor, ainda pouco conhecido, atualizou a lenda judaica do golem, o gigante de barro, recontando-a … Continuar lendo O Golem: Reflexos Populares de uma Antiga Lenda Judaica

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Uma Prece Escrita É Só a Lembrança de uma Prece: O Inverno de Aharon Appelfeld

Lucas Bento Pugliesi O filósofo do século XVIII Johann G. Herder notabilizou-se, entre outras coisas, por endossar a ideia de que não pode existir pensamento sem linguagem. Para além, o evento linguístico primordial se daria pela emergência da consciência. O ato reflexivo pediria uma ferramenta que lhe permitisse acontecer. Em sua concepção de história, Herder dará especial destaque à linguagem e a cultura que, para … Continuar lendo Uma Prece Escrita É Só a Lembrança de uma Prece: O Inverno de Aharon Appelfeld

Roteiro de Viagem pelo Séc. XII

Os diários de viagem de Benjamin de Tudela são das primeiras obras culturais da Idade Média e compõem, por fim, um panorama geográfico e histórico sobre como viviam os povos asiáticos, africanos e europeus no século XII. A empreitada de rabi Benjamin,  viajante e escritor judeu nascido no Reino de Navarra, antecede a de Marco Polo por cem anos e pretende, não só um diário … Continuar lendo Roteiro de Viagem pelo Séc. XII

Um Presente Contra o Esquecimento

Julia  Izumino [Um estrondo] Um estrondo: a própria verdade surgiu entre os homens em pleno turbilhão de metáforas. Paul Celan (1967)[1]   Na Hora Zero, a Alemanha, já quase em colapso, foi forçada a render todas as suas forças bélicas e a declarar sua derrota na Segunda Guerra Mundial. Quando o relógio bateu meia-noite no dia 9 de maio de 1945, pessoas foram às ruas … Continuar lendo Um Presente Contra o Esquecimento

Com a Tinta Vermelha de Dor

No imaginário fragmentado de uma personagem narradora, os estilhaços se alinham para restituir, pouco a pouco, algo que lhe foi furtado pelo regime nazista.   Romance-documentário de Mireille Abramovici retoma um tema explorado pela literatura contemporânea: o holocausto. Alguns leitores podem achar que esta é uma pauta em vias do esgotamento, mas Abramovici, em Com Tinta Vermelha, prova que questões como esta dificilmente perdem interesse. Neste relato investigativo, as memórias … Continuar lendo Com a Tinta Vermelha de Dor

Temidos 70

Aos otimistas de plantão, aqueles que contam com a calmaria de um novo ano, é hora de ficar desassossegado. O fim de 2015 marca os 70 anos da morte de Hitler, e com isso, sua polêmica e tão temida obra Mein Kampf cai em domínio público.

 

O que isso significa?

Já há alguns anos um grupo de pesquisadores do Instituto de História Contemporânea de Munique vem trabalhando em uma nova versão do livro, um estudo que pretende tratar a chamada “bíblia do antissemitismo” como um documento histórico, que merece ser revisto e comentado. A obra contará com 3500 notas e comentários e chega a quase duas mil páginas. O dia 1 de janeiro de 2016 já conta com este estrondo nas livrarias, porém com um número controlado de exemplares, que não deve passar de quatro mil, sem a certeza de uma segunda tiragem.

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Mein quempf???

Mein Kampf (em português, Minha Luta) foi escrito oito anos antes da chegada de Hitler ao poder e traz uma compilação de ideias que o ditador julgava necessárias e apropriadas para o restabelecimento da Alemanha enquanto potência. O cunho nazista e devastador do livro é inegável, e durante 70 anos o Estado da Baviera proibiu e restringiu o acesso a ele, tanto quanto foi possível.

Durante os tempos áureos do nazismo, o livro passou a ser um item básico de coleção, chegando a quatro milhões de exemplares vendidos. Inegavelmente um grande best-seller, era considerado um excelente presente para toda e qualquer ocasião. Sabemos que recém-casados e crianças ganhavam exemplares do livro, como se fosse tão bom presente quanto CDs e meias.

Mas logo os números mudam de figura. Durante os 70 anos em que esteve sob domínio da Braviera, o livro só esteve acessível via meios outros, como por exemplo, a internet, sebos, lojas de antiguidade, e é claro, o mercado negro.

 

O debate é irrecusável.

A discussão acerca da publicação do livro pode ser vista por diversos ângulos, mas o alcance da internet é um dos pontos em debate. Os pesquisadores do Instituto de História Contemporânea de Munique argumentam que a publicação comentada de Mein Kampf procura cercar o pensamento de Hitler por todos os lados, cerceando ideias totalitárias que devem ser combatidas.

Por outro lado, judeus e autoridades acreditam que a discussão já não se faz necessária. Tendo em vista o peso histórico e a tragicidade da Shoá, a divulgação do livro pode ser entendida como um enorme desrespeito às vítimas da guerra, além de um grande incitador ao ódio, não devendo nunca chegar às mãos de quem quer que seja. A autorização da leitura de uma obra como essa pode resultar no incentivo ao pensamento nazista, tanto para conhecimento e uso histórico quanto para discursos de ódio, nacionalismo e totalitarismo.

Outros argumentam ainda que o livro deva ser disponibilizado, porém somente no ambiente virtual, de forma a evitar a fetichização da obra e garantir que não encontraremos filas de compradores nas livrarias.

Resta a questão: publicar é cercear ou incentivar?

O estudo de uma obra tão nefasta pode gerar lucros intelectuais e históricos? Os pensamentos de Hitler devem ser tidos como uma relíquia de uma das maiores tragédias da história, ou será que devemos encará-la como um monstro a ser guardado a sete chaves, temendo novos descaminhos? Até onde chega a liberdade de expressão, e como evitar que ela seja usada como instrumento de ataque?

Discussões como esta figuram no contexto atual como parte de um todo muito maior, mas por fim, 70 anos após o término do conflito mundial, a questão que realmente está em pauta é: o contexto político global de 2016 aceitará a publicação de Mein Kampf, ou não existe tempo o suficiente que nos capacite e fortaleça para que este torne-se um campo seguro?

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A Editora

Em seus primórdios, a Editora Perspectiva veio ao mundo com a coleção Judaica, que pretendia abordar, tanto em ficção como em pensamento, a produção milenar da existência do povo judeu.  Nosso catálogo é, mesmo com 50 anos nas costas, exclusivamente fiel ao debate de ideias e aberto ao futuro, tendo como um de seus ramos principais o judaísmo como cultura.

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