Weimar: Um Prelúdio

Rafael Rocca Em um texto anterior, falamos das consequências imediatas da supressão da democracia para o povo judeu, principalmente, na Alemanha e na Polônia ocupadas pelas hordas assassinas dos soldados de Hitler. Tomando como exemplo Janusz Korczak, e fazendo dele um merecido símbolo, demos voz à leitura de seu diário e dali extraímos notas sobre o cotidiano de violência e as consequências funestas para si, … Continuar lendo Weimar: Um Prelúdio

Post fixo

Vivências da Shoah Sob o Olhar de uma Psicóloga

por Juliana Eliezer Em Badenheim 1939, o escritor judeu Aharon Appelfeld, morto no início deste ano, retrata um balneário austríaco emblemático da cultura hedonista do Império Austro-Húngaro, bem como os viajantes que para ali se dirigiam a fim de passarem a primavera e o verão apreciando o clima, a natureza e o festival de cultura germânica que ocorria todos os anos, religiosamente. Entretanto, a ansiedade … Continuar lendo Vivências da Shoah Sob o Olhar de uma Psicóloga

Post fixo

O Diário de Korczak Entre Testemunhos

Rafael Rocca Será que ninguém teve a ideia de colecionar as experiências ou as confissões das pessoas, todas essas cartas e diários escritos nos campos de concentração e prisões, testemunhos daqueles sobre quem pesa uma sentença de morte ou daqueles que relatam as emoções da véspera de uma grande batalha, da Bolsa ou de uma casa de jogo? Korczak, 2017, pp. 94-95.         Janusz Korczak … Continuar lendo O Diário de Korczak Entre Testemunhos

Um Presente Contra o Esquecimento

Julia  Izumino [Um estrondo] Um estrondo: a própria verdade surgiu entre os homens em pleno turbilhão de metáforas. Paul Celan (1967)[1]   Na Hora Zero, a Alemanha, já quase em colapso, foi forçada a render todas as suas forças bélicas e a declarar sua derrota na Segunda Guerra Mundial. Quando o relógio bateu meia-noite no dia 9 de maio de 1945, pessoas foram às ruas … Continuar lendo Um Presente Contra o Esquecimento

Com a Tinta Vermelha de Dor

No imaginário fragmentado de uma personagem narradora, os estilhaços se alinham para restituir, pouco a pouco, algo que lhe foi furtado pelo regime nazista.   Romance-documentário de Mireille Abramovici retoma um tema explorado pela literatura contemporânea: o holocausto. Alguns leitores podem achar que esta é uma pauta em vias do esgotamento, mas Abramovici, em Com Tinta Vermelha, prova que questões como esta dificilmente perdem interesse. Neste relato investigativo, as memórias … Continuar lendo Com a Tinta Vermelha de Dor

A Música e o Crime

Quando a política se apropria da arte, utiliza o apuro técnico de uma orquestra e a tradição musical de um povo para comprovar “cientificamente” sua supremacia racial

 

A Mais Alemã das Artes
A Mais Alemã das Artes

Devastada e humilhada após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha elege um governo nacionalista que rapidamente, mas com sólido apoio popular, destrói sua frágil democracia e instaura um regime de implacável perseguição a minorias e adversários políticos. O III Reich nasce fazendo a apologia da raça ariana pura e usa o protagonismo cultural do país na história como elemento-chave para reerguer o devastado orgulho nacional e estimular o ódio racial, manipulando as realizações de grandes autores e criadores alemães, com interpretações para lá de duvidosas.
A música, e a mítica Orquestra Filarmônica de Berlim em particular, cumpre uma série de incumbências relacionadas ao conceito de identidade nacional, servindo como instrumento conveniente e aproveitável para a ascensão do horror nazista. É esta a história de A Mais Alemã das Artes.

 

Alicerçados por um componente central do orgulho alemão, estudiosos voltaram-se à música como peça integrante de seu conjunto identitário, mas mais do que isso, como uma fonte de entretenimento e distração da qual todos os alemães poderiam desfrutar, uma atividade saudosa de tempos mais certos, nos quais a Alemanha garantia sua superioridade intelectual através da música. Assim, a musicologia, enquanto ciência e didática, percorreu um trajeto bastante particular neste contexto histórico mais particular ainda.

Em A Mais Alemã das Artes: Musicologia e Sociedade da República de Weimar ao Fim da Era Nazista, Pamela M. Potter pretende explorar a relação de causa e efeito que a música alemã partilha com o contexto de conflito mundial, estudando, portanto, a ascensão da musicologia na Alemanha do pós, entre e durante guerras. Para além disso, é possível, ainda, divisar práticas políticas correntes, com formas de atuação muito semelhantes às do regime nazista em relação à orquestra, e que ainda perduram na constituição de grandes projetos culturais e esportivos.

 

Em 1878, Richard Wagner proclamou que a essência alemã encontrava-se na música. Sessenta anos depois, em 1938, na abertura do maior encontro musical do Terceiro Reich, o ministro da propaganda, Joseph Goebbels, reafirmou, frente à multidão, que a música era a arte mais gloriosa do patrimônio cultural alemão. Até hoje, o mito da Alemanha como a “pátria da música” toma o mundo. O catecismo da música clássica requer familiaridade com os três “B’s” – Bach, Beethoven, Brahms, todos alemães; as salas de concerto perpetuam os nomes dos grandes mestres alemães em seus repertórios; a história da música, basicamente, é ensinada como uma progressão rumo à autorrealização alemã; e até hoje, Alemanha e Áustria continuam a atrair estudantes e experts em música, da mesma forma que os governos desses países não param de investir na preservação de suas
impressivas instituições musicais, bem como em eventos e projetos na área musical. A percepção popular da música ocidental assume que os alemães sempre estiveram no centro do enriquecimento da arte musical.

 

 

A AUTORA:

Pamela M. Potter é professora de musicologia na Universidade de Wisconsin-Madison e diretora do Centro de Estudos Alemães e Europeus. Sua pesquisa concentra-se na relação entre as artes e as condições ideologias, políticas, sociais e econômicas, do século XX. Além de A Mais Alemã das Artes, Potter também escreveu Music and German National Identity e Art of Suppression: Confronting the Nazi Past in Histories of the Visual and Performing Arts, obras que também suscitam questões acerca da cultura nazista e suas estéticas.

 Pamela Potter
Pamela Potter

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