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Os Animais Domésticos e Outras Receitas

Paella Luana Chnaiderman* Para que não se dissolva no caldo, o peixe deve ser de carne branca e firme, fresco, os olhos vivos em gelatina, sem marcas de sangue ou tempo. Um peixe que conte das coisas do mar, guelras de brilho e escamas de prata. Camarões de sete barbas. Guarda as cabeças. Frango, a carne sobre o fêmur, a carne escura da ave. Um … Continuar lendo Os Animais Domésticos e Outras Receitas

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É Preciso Salvar os Direitos Humanos!

José Augusto Lindgren-Alves Direitos-do-homismo? Virou um apelido jocoso. […] A desgraça que assola no presente qualquer coerência doutrinária tem-se acentuado e levado cada um a coroar seu adversário com esse sufixo de execração ridícula: soberanismo, acusa um, direitos-do-homismo, replica outro. Régis Debray, Le Moment Fraternité.   Depois de haverem funcionado, no final do século XX, como última utopia secular universalista, capaz de mobilizar sociedades de … Continuar lendo É Preciso Salvar os Direitos Humanos!

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A Disposição Para o Assombro

Desaparecidos – Uma História de Dor¹ Leopoldo Nosek Nossos olhos recebem a luz de estrelas mortas. Atravessando distâncias abissais, o brilho de corpos celestes que já desapareceram continua a chegar até nós. Assim é a figura de Homero, cujas palavras, inscritas na memória da humanidade, guardam o substrato do que no século IV a. C. culminaria na cultura grega clássica, na qual se desenvolveriam a poesia, o teatro, … Continuar lendo A Disposição Para o Assombro

Por um Urbanismo Mais Humano

“A sociedade industrial é urbana. A cidade é o seu horizonte. Ela produz as metrópoles, conurbações, cidades industriais, grandes conjuntos habitacionais. No entanto, fracassa na ordenação desses locais. A sociedade industrial tem especialistas em planejamento urbano. No entanto, as criações do urbanismo são, em toda parte, assim que aparecem, contestadas, questionadas. Das superquadras de Brasília aos quadriláteros de Sarcelles, do fórum de Chandigarh ao novo … Continuar lendo Por um Urbanismo Mais Humano

Limpeza da Primavera

“A ‘limpeza da primavera’ é um hábito francês. Como todos passam o inverno calafetados, sem abrir janelas, desempoeirar livros, usar batedor de tapete, sacudir a colcha, afofar almofadas, arejar o colchão, arrumar armários ou ventilar os cômodos, a estação das flores serve para lembrar que a vida pode voltar a respirar, fresca, colorida e revigorada, apenas… limpando-se a casa! O único problema com esse tipo … Continuar lendo Limpeza da Primavera

Sagrado, Profano, Mefistofáustico

Poesia, drama e encenação se entrelaçam na fantástica fábrica de invenções haroldianas. Não é pouca coisa deparar-se com um texto inédito de Haroldo de Campos. A qualidade literária, as surpresas de linguagem, o domínio técnico por si só garantem o prazer da leitura. Mas surpreende, todavia, a atualidade crítica do texto, nos impelindo a uma compreensão trágica – bufotrágica, para usar a expressão do poeta … Continuar lendo Sagrado, Profano, Mefistofáustico

Todo Sexo É Explícito?

Todo sexo é explícito? Como o cinema o representou por meio de diferentes propósitos narrativos, estéticos e políticos? Onscene, fora de campo, implícito, reprimido, estilizado ou imaginado, quais discursos foram elaborados para a deflagração do sexo cinematográfico? Da pornografia silenciosa às vanguardas, do underground às pornochanchadas, de Luís Buñuel a Pedro Almodóvar, de Andy Warhol a John Waters, de Pier Paolo Pasolini a Lars von Trier, de … Continuar lendo Todo Sexo É Explícito?

Jogos de Vozear

As diferenças e particularidades das pessoas reverberam na singularidade das suas vozes e na incontestável variação de detalhes anatômicos e culturais que a garantem. Com uma abordagem pedagógica, a autora, com ampla experiência internacional, analisa os tratamentos vocais, textuais e de linguagem, explorando técnicas psicofísicas com o auxílio da fenomenologia de Merleau-Ponty, segundo a qual voz e corpo atuam como portadores de potências imagéticas do … Continuar lendo Jogos de Vozear