Limpeza da Primavera

“A ‘limpeza da primavera’ é um hábito francês. Como todos passam o inverno calafetados, sem abrir janelas, desempoeirar livros, usar batedor de tapete, sacudir a colcha, afofar almofadas, arejar o colchão, arrumar armários ou ventilar os cômodos, a estação das flores serve para lembrar que a vida pode voltar a respirar, fresca, colorida e
revigorada, apenas… limpando-se a casa!

O único problema com esse tipo de faxina de estação definida é que não dá para procrastinar. Procrastinamos um pouco e… pronto, já é verão! Assim, sem querer deixar a tarefa para o ano que vem, resolvi fazer a ‘limpeza da primavera’ desta vez não na
casa material, mas na casa virtual que é o meu Mac.

Memórias, histórias, ideias, um pouco de crítica (menos por deformação profissional do que por vício), invenções, crônicas, fábulas e reflexões – tudo isso um pouco espanado, lustrado e limpo, ordenou-se quase que espontaneamente, em torno de seus temas. Arte, sem dúvida, mas também, o mundo, a sociedade e a vida hoje.

E há histórias, algumas com personalidades conhecidas, outras não. Todas vividas. Várias escrevi rindo, uma ou outra relatei com lágrimas nos olhos, nenhuma delas, penso, foi redigida com indiferença. É por isso, talvez, que este conjunto de certa forma autobiográfico, Direi Tudo e um Pouco Mais, constitui na minha opinião uma modesta obra pessoal de transmissão na qual cada trecho está enlaçado ao seguinte, tornando a leitura linear.

Ordenar estes escritos recentes foi a minha maneira de acreditar que, como dizia Schiller, ‘a fantasia é uma perpétua primavera’¹.”

Sheila_divulgaçãositeConfira aqui o site oficial de Direi Tudo e um Pouco Mais!

É com essa introdução que Sheila Leirner apresenta Direi Tudo e um Pouco Mais, uma coletânea de contos que traz lembranças, ideias, análises, invenções, fábulas e reflexões das experiências da vida da autora. Crítica de arte, jornalista, curadora, memorialista e gastrônoma, Leirner discorre aqui sobre arte, principalmente, mas também sobre o mundo, a sociedade e a vida contemporânea. Junta histórias particulares com personalidades conhecidas e desconhecidas – que às vezes pensamos reconhecer, dado o tom de familiaridade com que a autora as descreve.

Cada um desses textos encontra o seu  prosseguimento no seguinte e, como as boas obras literárias em primeira pessoa, esta coletânea não apenas deleita, mas também surpreende, emociona, faz rir ou pensar ao transmitir as experiências do autor ao leitor. Ademais, transforma esse mesmo leitor-confidente em seu companheiro de jornada por um tempo e lugar que, embora em sua superfície seja sempre observado de um ângulo particular, tem – como em um retrato de Rembrandt – uma significação que ressoa intimamente em todos nós.


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SHEILA LEIRNER estudou cinema, sociologia da arte e urbanismo na França e, em 1975, tornou-se crítica de arte no jornal O Estado de S. Paulo. Recebeu o prêmio Melhor Crítico do Ano da ABCA e da Secretaria da Cultura do Estado. Foi curadora-geral de duas bienais internacionais de São Paulo (1985 e 1987), sendo escolhida Personalidade Artística do Ano na América Latina, pela Associação Argentina de Críticos de Arte, e mereceu a condecoração Chevalier de l’Ordre des Arts et Lettres do governo francês. É autora dos livros Arte como Medida (Perspectiva, 1982), Arte e Seu Tempo (Perspectiva, 1990) e colaboradora, dentre outros, de Céu Acima: Para um Tombeau de Haroldo de Campos (Perspectiva, 2005) e O Surrealismo (Perspectiva, 2008).

2 comentários sobre “Limpeza da Primavera

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