Pelo Design da Vida do Introdutor do Design no Brasil

Vindo do maior centro do design moderno, um italiano chega ao Brasil nos anos de 1970 para lançar as bases de uma nova profissão. As histórias apresentadas em Hac Hora: Um Tempo Fora do Tempo são um jeito prazeroso de conhecer a trajetória de um pioneiro do design no Brasil  e a do próprio desenvolvimento da disciplina em nosso país, com farto material ilustrado.
Primeiro vencedor do mais importante prêmio nacional da categoria – o Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira –, Luciano Deviá trouxe relevância a uma área praticamente desconhecida de industriais, publicitários, empresários e autoridades, habituados a simplesmente copiar modelos de produtos consagrados no exterior.

Fascinado pela cultura brasileira, Deviá passa a incorporar elementos regionais a seus artigos, fazendo-se conhecido pela fusão de costumes, absorvendo personagens como Lampião, Maria Bonita, Virgulino e Toquinho.

Aos leigos ou aos apaixonados por design, as histórias apresentadas em Hac Hora constituem uma forma prazerosa de percorrer as memórias de um dos grandes nomes do design, Luciano Deviá, e simultaneamente familiarizar-se à história das relações Brasil-Itália no âmbito da arte e da arquitetura. Produto da arte de rememorar, eis aqui uma publicação de cunho leve que se propõe a narrar pequenas histórias contextualizadas no Brasil dos anos 1980 e 1990.

 

ANIMADOR E PROFESSOR
Irrequieto, culto, atualizado e afetivamente muito ligado à sua Itália natal, Deviá introduziu nomes marcantes do design italiano no Brasil e reuniu artistas, autoridades e empresários em torno de projetos expositivos  usados.
Lançou-se Brasil adentro, ora desenvolvendo projetos com artesãos da região amazônica, ora pesquisando materiais e soluções inovadoras ou trazendo elementos do imaginário para um design de características essencialmente brasileiras.

Na noite em que dei a palestra sobre a história do design em Cruzeiro do Sul, o céu estava cheio de estrelas e eu pensava: “Que pena que devo ir dar a palestra, teria gostado tanto de ficar olhando o céu…” Para chegar ao lugar que era a sede dos comerciários, com uma escadaria em frente e uma construção meio art déco, era preciso andar uns quinze minutos a pé, a partir da praça com a catedral. As moças do Sebrae tinham enfeitado com flores uma mesa comprida na qual estava esticada uma toalha branca com salgadinhos, pão de queijo, refrigerantes etc. para os convidados: tudo muito bem feito e em ordem. Logo, o lugar se encheu de pessoas, apagamos as luzes e comecei a projeção. De repente, após quinze minutos, faltou a luz e não voltou mais. Assim, depois de meia hora esperando, decidimos sair e continuar a conversa lá fora, comendo salgadinhos e tomando refrigerante, todo mundo sentado na escadaria da Associação dos Comerciários de Cruzeiro do Sul, enquanto eu falava de art nouveau e de futurismo, de Primeira Guerra Mundial, de Bauhaus e de design, olhando as estrelas e escutando também o mestre Maqueson, que comentava de forma apropriada as minhas histórias e, de vez em quando, divagava fazendo observar o céu estrelado, que ele conhecia bem, por ser  frequentador do Santo Daime. Também devia saber de muitos outros mistérios: portanto, um verdadeiro mestre! A luz voltou depois de duas horas: tivemos tempo de ver mais um pedacinho de história, mas já era muito tarde, as moças do Sebrae apagaram as luzes e todo mundo foi voltando a pé no escuro, em baixo do céu estrelado, caminhando até a praça, de onde cada um se dirigiu para as próprias casas e eu, para a pensão, onde sabia que seria acordado pelos alto-falantes a todo volume às sete horas em ponto no dia seguinte.

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