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Graal: Drama do Escritor Vanguardista

Pacelli Dias Alves de Sousa Se mencionar o encontro de um datiloscrito pouco comentado de um escritor reconhecido, por si, já evoca todo um universo borgeano de construção narrativa: a figura nebulosa do escritor perdido em meio a uma pilha de livros, textos que parecem surgir entre conexões e choques com outros textos, tradições entre infindáveis e inventadas; que se trate de uma peça de … Continuar lendo Graal: Drama do Escritor Vanguardista

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Qual é a Importância de Falarmos de Teatro Hoje?

Por Chayenne Orru Mubarack “O teatro é uma perversidade milenar pela qual a humanidade é doida e é profundamente doida por ela porque é profundamente doida pela sua mentira e em nenhuma parte desta humanidade a mentira é maior e mais fascinante que no teatro” “Se formos honestos o teatro é em si um absurdo mas se formos honestos não podemos fazer teatro nem podemos se … Continuar lendo Qual é a Importância de Falarmos de Teatro Hoje?

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Wole Soyinka: Compromisso e Compaixão

Elisa Larkin Nascimento* Para chegar de Lagos, Nigéria, até a cidade sagrada de Ilé Ifé, onde tive o privilégio de morar durante um ano, passa-se pela capital do Estado de Ogun. Cidade de uma beleza única abrigada entre colinas, Abeokuta nos contempla do alto de suas rochas enormes. Dali emana uma força telúrica que nos exige atenção especial. É o axé de Ogum, que chega … Continuar lendo Wole Soyinka: Compromisso e Compaixão

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Lessing e a Invenção da Arte

Lucas Bento Pugliesi Sob o risco do  leitor morrer de tédio, desculpo-me por antecedência por iniciar o percurso da discussão sobre a edição das obras de Lessing, a partir do ressuscitar de velharias; contudo, sem elas, me parece, o pensamento  do autor perde em termos de contextualização. Principiamos por Alberti, figura central do Renascimento, que operou no século XV uma inédita organização da tendência em … Continuar lendo Lessing e a Invenção da Arte

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Augusto de Campos vencedor do Jannus Pannonius Grand Prize for Poetry

No último dia 23, Augusto de Campos, vencedor do grande Jannus Pannonius Grand Prize for Poetry,  aceitou e recebeu o prêmio em Pécs, cidade húngara onde a cerimônia de premiação ocorreu. Criador  e considerado hoje um dos mais relevantes reconhecimentos internacionais a poetas vivos, o prêmio já condecorou nomes como o francês Yves Bonnefoy, o sírio Adonis e o americano Charles Bernstein.  Augusto é o único … Continuar lendo Augusto de Campos vencedor do Jannus Pannonius Grand Prize for Poetry

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Spinoza e a Autoestima Intelectual

Lucas Bento Pugliesi Slavoj Zizek observou com algum mérito que uma das normas não-ditas da academia é nutrir um amor efusivo e acima de qualquer suspeita por Spinoza. No referido texto, o objetivo do pensador é mais uma vez polemizar, tendo em vista os circuitos nos quais o filósofo do século XVII tem feito sucesso: os discípulos anarquistas de Deleuze, do marxismo revisitado por Althusser, … Continuar lendo Spinoza e a Autoestima Intelectual

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Direitos Humanos Para Todos (Teoricamente)

Pacelli Dias Alves de Sousa Possivelmente inspirada pela anterior declaração de Thomas Jefferson, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão – discutida e aprovada pela Assembléia Nacional da França, em 1789, logo após a queda da Bastilha – culminou e estabeleceu um modelo de pensamento sobre o Homem e, especificamente, o Homem em sociedade, permanecendo como uma forte frente discursiva por séculos adiante, … Continuar lendo Direitos Humanos Para Todos (Teoricamente)

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Ao Mestre Com Algum Niilismo: O Diálogo Entre José Sérgio de Carvalho e Hannah Arendt

Lucas Bento Pugliesi Em sala de aula, discutia com os alunos algumas reflexões de Jacques Derrida sobre o conceito fugidio da “amizade”. Dizia que, de alguma forma, quando eu começava a falar e eles, ali presentes, começavam a ouvir, instaurava-se já sorte de assimetria que passava a guiar a partir dali o rumo da discussão. Então eles seriam obrigados a responder (ainda que só ouvindo) … Continuar lendo Ao Mestre Com Algum Niilismo: O Diálogo Entre José Sérgio de Carvalho e Hannah Arendt

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Décio de Almeida Prado: A Consciência Teatral de São Paulo

*Discurso de saudação a Décio de Almeida Prado, lido na sessão em que lhe foi outorgado, em caráter póstumo, o título de Professor Emérito da Universidade de São Paulo. Esse evento foi realizado no dia 29 de novembro de 2001, no Salão Nobre do Prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Texto retirado do volume  Teatro em Progresso: Crítica Teatral … Continuar lendo Décio de Almeida Prado: A Consciência Teatral de São Paulo

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Anatol, o construtor

Julia Izumino Qual o papel de um crítico? Seus deveres, responsabilidades, objetivos a cumprir? O que o diferencia de um intelectual? Porque nem todo pensador constrói críticas, isso sabemos, por mais que todo pensamento emita um valor. Criticar e valorar, portanto, são movimentos diferentes. Não excludentes. Às vezes complementares. E o que faz de alguém um bom crítico? Como julgamos aquele que cria categorias de … Continuar lendo Anatol, o construtor

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Presença de Pirandello no Brasil

Annateresa Fabris e Mariarosaria Fabris*   Embora seja um autor bastante estudado nos cursos de Literatura Italiana, Pirandello nunca foi objeto de uma análise sistemática que evidenciasse sua fortuna crítica no Brasil ou o possível diálogo de dramaturgos e escritores brasileiros com sua vasta produção. Quando muito, foi proposto um paralelo entre seu humorismo e a ironia de Machado de Assis, como atestam a introdução … Continuar lendo Presença de Pirandello no Brasil

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Sarduy Por uma Escritura do Corpo

Pacelli Dias Alves de Sousa A partir das mais diversas fontes, de entrevistas à romances, Severo Sarduy sempre fez questão de se autodeclarar um herdeiro de José Lezama Lima. Se Lezama foi considerado um mestre por muitos escritores cubanos do século XX, Sarduy segue sendo aquele cujo nome é mais rapidamente associado ao autor não só de Paradiso, mas de um universo e mitologia próprias. … Continuar lendo Sarduy Por uma Escritura do Corpo

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Sobre a Cosmopolítica da Nostalgia

Lucas Bento Pugliesi Quando os gregos partiram em direção à Troia em busca de Helena, o homem ocidental tornou-se como que obcecado pelo espaço, pelo transpor e, eventualmente, pelo conquistar. Se para a Ilíada o homem valoroso é aquele que perece em campo de batalha, na Odisseia será justamente o outro, que retorna são. A glória pelo “nostos”, o retorno, o caminho do nômade que … Continuar lendo Sobre a Cosmopolítica da Nostalgia

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A Denúncia e a Luta Contra um Genocídio Continuado: A Atualidade de Abdias Nascimento

  Teófilo Reis “Em certo momento, na assembleia geral do colóquio, quando os delegados oficiais do Brasil tentavam me silenciar, levantei a voz e me identifiquei não como representante do Brasil, mas como um sobrevivente da República dos Palmares. É nesta qualidade que me reconheço e me confirmo neste trabalho”. É com esse parágrafo que Abdias Nascimento encerra o prólogo de O Genocídio do Negro … Continuar lendo A Denúncia e a Luta Contra um Genocídio Continuado: A Atualidade de Abdias Nascimento

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Do Imaterial ao Material: A Influência do Idealismo Filosófico na Ciência

  Por Rafael Velloso Luz Concepções como natureza humana, amor verdadeiro, alma gêmea, entre outras noções de sentimentos e modos de convivências tratados como ideais, estão fortemente enraizadas em nossa sociedade. São ideias e padronizações existentes no campo das abstrações, mas que possuem um vínculo tão íntimo e próximo com a humanidade que são tratadas quase como existentes, materialmente falando. Questões que, inicialmente, podem parecer … Continuar lendo Do Imaterial ao Material: A Influência do Idealismo Filosófico na Ciência

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Roteiro de Viagem pelo Séc. XII

Os diários de viagem de Benjamin de Tudela são das primeiras obras culturais da Idade Média e compõem, por fim, um panorama geográfico e histórico sobre como viviam os povos asiáticos, africanos e europeus no século XII. A empreitada de rabi Benjamin,  viajante e escritor judeu nascido no Reino de Navarra, antecede a de Marco Polo por cem anos e pretende, não só um diário … Continuar lendo Roteiro de Viagem pelo Séc. XII

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Um Presente Contra o Esquecimento

Com Tinta Vermelhapor Julia  Izumino [Um estrondo] Um estrondo: a própria verdade surgiu entre os homens em pleno turbilhão de metáforas. Paul Celan (1967)[1]   Na Hora Zero, a Alemanha, já quase em colapso, foi forçada a render todas as suas forças bélicas e a declarar sua derrota na Segunda Guerra Mundial. Quando o relógio bateu meia-noite no dia 9 de maio de 1945, pessoas foram … Continuar lendo Um Presente Contra o Esquecimento

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Revoluções Estéticas: Maiakóvski e Khlebnikóv 100 Anos Depois

Lucas Bento Pugliesi Cem anos depois não convulsionamos ao redor da ideia de uma revolução. O próprio conceito de revolução tornou-se ambíguo, mesmo entre aqueles que antes o reclamavam. “Uni-vos”, mas há “proletários” e “proletários”. 1917 abalou o mundo como uma promessa efetivada, mas essa não foi a única radical transformação na ordem do sensível que a Rússia trouxe ao ocidente naquele momento. Os jovens … Continuar lendo Revoluções Estéticas: Maiakóvski e Khlebnikóv 100 Anos Depois

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Todo sexo é explícito?

Todo sexo é explícito? Como o cinema o representou por meio de diferentes propósitos narrativos, estéticos e políticos? Onscene, fora de campo, implícito, reprimido, estilizado ou imaginado, quais discursos foram elaborados para a deflagração do sexo cinematográfico? Da pornografia silenciosa às vanguardas, do underground às pornochanchadas, de Luís Buñuel a Pedro Almodóvar, de Andy Warhol a John Waters, de Pier Paolo Pasolini a Lars von Trier, de … Continuar lendo Todo sexo é explícito?

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É Preciso Gritar o Nosso Contra

Ave Terrena A história do nosso teatro está cheia de figuras controversas. Até hoje. Melhor nem começar a conversa. Mas o assunto aqui é o passado, ainda bem. Temos a distância no tempo, único calmante possível para o fogo de cena, no AQUI-AGORA do presente, matéria viva do teatro. Ziembinski, também conhecido como Zimba, diretor e ator polonês e brasileiro, é uma dessas figuras. No … Continuar lendo É Preciso Gritar o Nosso Contra

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Repercussão Artística da Condição Humana

Luiz Nazario (O Espírito do Tempo – Quadro Histórico do Período Naturalista) O século XIX foi o século das massas e das grandes invenções da vida prática. O século dos modernos meios de comunicação – os primeiros telegramas, linotipos, rotativas, telefones, gramofones, cinematógrafos. O século dos modernos meios de transporte – os primeiros elevadores, automóveis, balões dirigíveis, aviões, submarinos, ferrovias continentais e  intercontinentais. E o … Continuar lendo Repercussão Artística da Condição Humana

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Retrato Contra um Ideal de Nação: O Genocídio do Negro Brasileiro

por Pacelli Dias Alves de Sousa   Em determinada passagem de Tristes Trópicos, livro em que é relatada a experiência de Claude Lévi-Strauss no Brasil durante a primeira metade do século XX, o etnógrafo francês conta o seguinte caso, ocorrido quando caminhava pelas ruas de Salvador, enquanto buscava bons clicks de suas várias igrejas: Estou concentradíssimo em fotografar detalhes da arquitetura, sendo perseguido de praça em … Continuar lendo Retrato Contra um Ideal de Nação: O Genocídio do Negro Brasileiro

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Jogos de Vozear

As diferenças e particularidades das pessoas reverberam na singularidade das suas vozes e na incontestável variação de detalhes anatômicos e culturais que a garantem. Com uma abordagem pedagógica, a autora, com ampla experiência internacional, analisa os tratamentos vocais, textuais e de linguagem, explorando técnicas psicofísicas com o auxílio da fenomenologia de Merleau-Ponty, segundo a qual voz e corpo atuam como portadores de potências imagéticas do … Continuar lendo Jogos de Vozear

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58º Prêmio Jabuti

O Prêmio Jabuti chega a sua 58a edição!Este ano, a editora Perspectiva participa com três publicações! Conheça os livros finalistas de 2016. Ano passado estivemos na primeira posição da categoria Tradução, com Spinoza: Obra Completa (J. Guinsburg, Newton Cunha e Roberto Romano ).   A Utilidade do Conhecimento (Carlos Vogt) Categoria: Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática Carlos Vogt, pensador da cultura e poeta, é professor de semiótica e, portanto, busca nos signos … Continuar lendo 58º Prêmio Jabuti

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A Criança e o Mundo

Pesquisa relaciona reflexões de Hannah Arendt sobre o ensino com conceitos de sua obra política A filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) escreveu apenas um ensaio sobre educação em meio a uma obra eminentemente política. O texto, intitulado A Crise na Educação (1958), publicado no Brasil em 1974 no livro Entre o Passado e o Futuro, contesta as orientações de ensino tidas como as mais avançadas à … Continuar lendo A Criança e o Mundo

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Debates 339

Recentemente publicado, A Teoria da Alteridade Jurídica: Em Busca do Conceito de Direito em Emmanuel Lévinas, foi acolhido pela coleção Debates, uma das maiores coleções do campo das ciências e das artes. Chegando à marca de 400 títulos publicados, a Debates completa 48 anos de vida e conta com nomes dos maiores estudiosos, ensaístas e críticos, brasileiros e estrangeiros. Nem todo mundo sabe, mas cada faixa colorida representa um tema, como … Continuar lendo Debates 339

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Estética e Teatro no Século das Luzes

Se até o século XVIII o teatro alemão era dominado pela pompa barroca, com o Iluminismo os palcos (e o pensamento estético) são tomados pelo otimismo e pela possibilidade de conhecimento Um dos mais proeminentes representantes do Século das Luzes na Europa, Gotthold Ephraim Lessing foi autor, dramaturgo, crítico e filósofo de arte. Neste volume, suas obras mais importantes ganham, já não sem tempo, a devida homenagem e compilação de … Continuar lendo Estética e Teatro no Século das Luzes

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Radicalização do Cênico

Isto Não é um Ator procura colocar à disposição do atual e marcante movimento cênico brasileiro saberes e feitos da companhia italiana Socìetas Raffaello Sanzio Fundada em 1981, a companhia italiana Socìetas Raffaello Sanzio é considerada uma das mais  importantes e inovadoras na cena teatral contemporânea. Contudo, o público brasileiro ainda conhece apenas parcialmente sua rica experiência artística focada no corpo, na imagem e na presença.   Ferreira analisa experiências … Continuar lendo Radicalização do Cênico

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Clássico Renascido

Quando Friedriech Hölderlin, o grande poeta romântico alemão, traduz Antígona, de Sófocles, guia-se pelo pensamento mítico-trágico, oferecendo, na interpretação de Kathrin Rosenfield, uma leitura sui generis e de incrível conhecimento histórico e antropológico. Em trabalho de reconstituição do método tradutório, a obra analisa elementos como ritmo, som e sentido, evidenciando a originalidade e extensão da tradução do poeta alemão. A versão de Hölderlin transcende leituras canônicas e mantém-se fiel … Continuar lendo Clássico Renascido

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Equações Literárias

por João Paulo Cunha ( Ex-editor do Jornal Estado de Minas)   A separação entre letras e números parece dividir as pessoas em dois grupos: de um lado os que gostam de literatura, artes, humanidades e poesia; de outro, aqueles marcados pela busca da exatidão, pela tradução da linguagem oculta da ciência, pelo ordenamento matemático do mundo. O livro Literatura e Matemática – Jorge Luis … Continuar lendo Equações Literárias

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Ribalta (C)rua

Seja pela frequência do transeunte ou pela via semiótica, as calçadas urbanas alimentam-se do persistir comunicativo e fluxo de ideias  Com o aparecimento de grandes cidades e a noção de público e privado, algo se perde no imaginário das ruas. O pensamento mercadológico avança sobre o campo das artes e tudo aquilo que se considera rentável é fechado e obstruído pelo preço de ingressos e salas fechadas. As ruas, entendidas … Continuar lendo Ribalta (C)rua

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Literatura, Matemática e Poesia em Diálogo

Jacques Fux Ele sabia quando parar de formalizar e começar a cantar – ou melhor, quando fazer os próprios rigores formais cantarem. John Barth Letras e números costumam ser vistos como símbolos opostos, correspondentes a sistemas de pensamento e linguagens distintas e por vezes incomunicáveis. Essa perspectiva, no entanto, foi muitas vezes refutada pela própria literatura, que em diversas ocasiões valeu-se de elementos matemáticos como … Continuar lendo Literatura, Matemática e Poesia em Diálogo

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Poeta Transcriador

O concretismo, que constitui uma revolução no modelo poético brasileiro na segunda metade do século XX, parecia nos últimos tempos dormitar nos recantos da história, apesar de contar com a presença de um dos principais expoentes no Brasil, e com muitos seguidores na literatura e na música, rastros visíveis de sua influência nas novas gerações de poetas e leitores. Esta presença se tornou marcante recentemente … Continuar lendo Poeta Transcriador

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Com a Tinta Vermelha de Dor

No imaginário fragmentado de uma personagem narradora, os estilhaços se alinham para restituir, pouco a pouco, algo que lhe foi furtado pelo regime nazista.   Romance-documentário de Mireille Abramovici retoma um tema explorado pela literatura contemporânea: o holocausto. Alguns leitores podem achar que esta é uma pauta em vias do esgotamento, mas Abramovici, em Com Tinta Vermelha, prova que questões como esta dificilmente perdem interesse. Neste relato investigativo, as memórias … Continuar lendo Com a Tinta Vermelha de Dor

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Boris Schnaiderman – In Memoriam

Os tons verbais carregados de subjetivação de Górki, a intensidade dramática e ficcional das ideias de Dostoiévski, a simplicidade impressionista de Tchékhov, os contos de Bábel, o pensamento de Iúri Lotman, entre outros (Tolstói, Guenádi Aigui, Maiakóvski…), passaram a ter uma alma mais vernacular mercê do talento e do esforço de Boris Schnaiderman, falecido nesta quarta-feira (18/05), em São Paulo, um dia após completar 99 … Continuar lendo Boris Schnaiderman – In Memoriam

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Caminhar nas Cidades

por Anita Di Marco Tradutora | arquiteta e urbanista (FAU-USP, 1976, Especialização em Conservação Arquitetônica pelo ICCROM-Roma). | Anita Plural: http://anitadimarco.blogspot.com.br Cidades representam, hoje, o principal habitat do ser humano, no mundo todo, sobretudo a partir de meados do século 20. Na América Latina, 75% da população vive hoje nas áreas urbanas e o Brasil não é exceção. 85% de nossa população já está nas … Continuar lendo Caminhar nas Cidades

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Procura-se uma Personagem (Mais) Complexa

Quando o papel do público e do ator no teatro deixa de ser jogo artificial e passa a ser expressão orgânica do natural, algo precisa ser explicado. Senhoras e senhores, temos o prazer de apresentar, nesta feira de ideias e debates, ninguém menos que Constantin Stanislávski! Do fortuito encontro entre Constantin Stanislávski e Nemiróvitch-Dântchenko surge a ideia de um novo teatro, proveniente de uma arte genuína, na qual finda o … Continuar lendo Procura-se uma Personagem (Mais) Complexa

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Passeio Pela República

Para compreender as ideias de Platão, um passeio pelas ideias expostas em A República não é o suficiente. É preciso uma Arqueologia da Política.   Tratando-se de uma discussão inesgotável, A República de Platão recebe, em Arqueologia da Política: Leitura da República Platônica, uma nova reflexão. Paulo Butti de Lima propõe um estudo da gênese política, ao longo de uma análise aprofundada de segmentos dados … Continuar lendo Passeio Pela República

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Jogo e Formação no Palco

Quantos Brechts, Müllers e Brueghels são necessários para levar um ateliê de pintura ao palco? Quais são as possibilidades pedagógicas desse encontro?   Partindo de experiências teatrais construídas com aprendizes e futuros professores, o autor de Alegoria em Jogo: A Encenação como Prática Pedagógica, Joaquim Gama, explora o que chama de “teatro de figuras alegóricas” num laboratório para uma nova abordagem estética da pedagogia teatral. Utilizando gravuras de Peter Brughel, … Continuar lendo Jogo e Formação no Palco

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Nova Percepção de Antigos Conceitos

Aos interessados pelo desenvolvimento da teoria econômica e reestruturação de paradigmas vigentes,  Nova Economia Política de Serviços propõe uma discussão sobre o caráter produtivo das atividades econômicas de serviços. Inicialmente consideradas não produtivas e até complementares, hoje os sinais foram invertidos, em virtude do destaque e da importância que o setor terciário adquiriu. Em sua nova publicação, Anita Kon demonstra como os serviços mudaram de figura … Continuar lendo Nova Percepção de Antigos Conceitos

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Despede-se a Vanguarda

Os anos tendem à crueldade. Pelos últimos deixamos nomes de peso e o cenário cultural de vanguarda se vê cada vez mais leve e pálido. 2016, com menos de duas semanas de idade, já se mostrou tão frio e impiedoso quanto seus antecessores, e reúne pelo caminho os grandes mestres da geração de 1920. Entre cinco dias de fôlego, nos despedimos de dois dos maiores nomes … Continuar lendo Despede-se a Vanguarda

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A Música e o Crime

Quando a política se apropria da arte, utiliza o apuro técnico de uma orquestra e a tradição musical de um povo para comprovar “cientificamente” sua supremacia racial

 

A Mais Alemã das Artes
A Mais Alemã das Artes

Devastada e humilhada após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha elege um governo nacionalista que rapidamente, mas com sólido apoio popular, destrói sua frágil democracia e instaura um regime de implacável perseguição a minorias e adversários políticos. O III Reich nasce fazendo a apologia da raça ariana pura e usa o protagonismo cultural do país na história como elemento-chave para reerguer o devastado orgulho nacional e estimular o ódio racial, manipulando as realizações de grandes autores e criadores alemães, com interpretações para lá de duvidosas.
A música, e a mítica Orquestra Filarmônica de Berlim em particular, cumpre uma série de incumbências relacionadas ao conceito de identidade nacional, servindo como instrumento conveniente e aproveitável para a ascensão do horror nazista. É esta a história de A Mais Alemã das Artes.

 

Alicerçados por um componente central do orgulho alemão, estudiosos voltaram-se à música como peça integrante de seu conjunto identitário, mas mais do que isso, como uma fonte de entretenimento e distração da qual todos os alemães poderiam desfrutar, uma atividade saudosa de tempos mais certos, nos quais a Alemanha garantia sua superioridade intelectual através da música. Assim, a musicologia, enquanto ciência e didática, percorreu um trajeto bastante particular neste contexto histórico mais particular ainda.

Em A Mais Alemã das Artes: Musicologia e Sociedade da República de Weimar ao Fim da Era Nazista, Pamela M. Potter pretende explorar a relação de causa e efeito que a música alemã partilha com o contexto de conflito mundial, estudando, portanto, a ascensão da musicologia na Alemanha do pós, entre e durante guerras. Para além disso, é possível, ainda, divisar práticas políticas correntes, com formas de atuação muito semelhantes às do regime nazista em relação à orquestra, e que ainda perduram na constituição de grandes projetos culturais e esportivos.

 

Em 1878, Richard Wagner proclamou que a essência alemã encontrava-se na música. Sessenta anos depois, em 1938, na abertura do maior encontro musical do Terceiro Reich, o ministro da propaganda, Joseph Goebbels, reafirmou, frente à multidão, que a música era a arte mais gloriosa do patrimônio cultural alemão. Até hoje, o mito da Alemanha como a “pátria da música” toma o mundo. O catecismo da música clássica requer familiaridade com os três “B’s” – Bach, Beethoven, Brahms, todos alemães; as salas de concerto perpetuam os nomes dos grandes mestres alemães em seus repertórios; a história da música, basicamente, é ensinada como uma progressão rumo à autorrealização alemã; e até hoje, Alemanha e Áustria continuam a atrair estudantes e experts em música, da mesma forma que os governos desses países não param de investir na preservação de suas
impressivas instituições musicais, bem como em eventos e projetos na área musical. A percepção popular da música ocidental assume que os alemães sempre estiveram no centro do enriquecimento da arte musical.

 

 

A AUTORA:

Pamela M. Potter é professora de musicologia na Universidade de Wisconsin-Madison e diretora do Centro de Estudos Alemães e Europeus. Sua pesquisa concentra-se na relação entre as artes e as condições ideologias, políticas, sociais e econômicas, do século XX. Além de A Mais Alemã das Artes, Potter também escreveu Music and German National Identity e Art of Suppression: Confronting the Nazi Past in Histories of the Visual and Performing Arts, obras que também suscitam questões acerca da cultura nazista e suas estéticas.

 Pamela Potter
Pamela Potter

LEIA MAIS

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Boris Schnaiderman: Memórias de um ex-combatente

Professor de literatura, um dos pioneiros da tradução de livros russos e ex-pracinha, lança livro sobre participação na Segunda Grande Guerra    O professor e tradutor Boris Schnaiderman, de 98 anos, pode ser encontrado em seu apartamento na capital paulista, não raro, datilografando em uma máquina de escrever Olivetti. Não, ele não traduz mais os grandes autores russos, nem prepara aulas de língua e literatura … Continuar lendo Boris Schnaiderman: Memórias de um ex-combatente

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Representar por entre tempos

Dizem as más línguas que os acadêmicos de humanas nunca conseguiram misturar letras e números. É chegado o tempo (e o espaço) de superar este clichê   Jorge Andrade – Um Dramaturgo no Espaço-Tempo prova que o teatro e a teoria da relatividade estão mais próximos do que se imagina, e que a física pode ser a ciência exata preferida das humanas. Em Jorge Andrade, a análise de peças … Continuar lendo Representar por entre tempos

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Temidos 70

Aos otimistas de plantão, aqueles que contam com a calmaria de um novo ano, é hora de ficar desassossegado. O fim de 2015 marca os 70 anos da morte de Hitler, e com isso, sua polêmica e tão temida obra Mein Kampf cai em domínio público.

 

O que isso significa?

Já há alguns anos um grupo de pesquisadores do Instituto de História Contemporânea de Munique vem trabalhando em uma nova versão do livro, um estudo que pretende tratar a chamada “bíblia do antissemitismo” como um documento histórico, que merece ser revisto e comentado. A obra contará com 3500 notas e comentários e chega a quase duas mil páginas. O dia 1 de janeiro de 2016 já conta com este estrondo nas livrarias, porém com um número controlado de exemplares, que não deve passar de quatro mil, sem a certeza de uma segunda tiragem.

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Mein quempf???

Mein Kampf (em português, Minha Luta) foi escrito oito anos antes da chegada de Hitler ao poder e traz uma compilação de ideias que o ditador julgava necessárias e apropriadas para o restabelecimento da Alemanha enquanto potência. O cunho nazista e devastador do livro é inegável, e durante 70 anos o Estado da Baviera proibiu e restringiu o acesso a ele, tanto quanto foi possível.

Durante os tempos áureos do nazismo, o livro passou a ser um item básico de coleção, chegando a quatro milhões de exemplares vendidos. Inegavelmente um grande best-seller, era considerado um excelente presente para toda e qualquer ocasião. Sabemos que recém-casados e crianças ganhavam exemplares do livro, como se fosse tão bom presente quanto CDs e meias.

Mas logo os números mudam de figura. Durante os 70 anos em que esteve sob domínio da Braviera, o livro só esteve acessível via meios outros, como por exemplo, a internet, sebos, lojas de antiguidade, e é claro, o mercado negro.

 

O debate é irrecusável.

A discussão acerca da publicação do livro pode ser vista por diversos ângulos, mas o alcance da internet é um dos pontos em debate. Os pesquisadores do Instituto de História Contemporânea de Munique argumentam que a publicação comentada de Mein Kampf procura cercar o pensamento de Hitler por todos os lados, cerceando ideias totalitárias que devem ser combatidas.

Por outro lado, judeus e autoridades acreditam que a discussão já não se faz necessária. Tendo em vista o peso histórico e a tragicidade da Shoá, a divulgação do livro pode ser entendida como um enorme desrespeito às vítimas da guerra, além de um grande incitador ao ódio, não devendo nunca chegar às mãos de quem quer que seja. A autorização da leitura de uma obra como essa pode resultar no incentivo ao pensamento nazista, tanto para conhecimento e uso histórico quanto para discursos de ódio, nacionalismo e totalitarismo.

Outros argumentam ainda que o livro deva ser disponibilizado, porém somente no ambiente virtual, de forma a evitar a fetichização da obra e garantir que não encontraremos filas de compradores nas livrarias.

Resta a questão: publicar é cercear ou incentivar?

O estudo de uma obra tão nefasta pode gerar lucros intelectuais e históricos? Os pensamentos de Hitler devem ser tidos como uma relíquia de uma das maiores tragédias da história, ou será que devemos encará-la como um monstro a ser guardado a sete chaves, temendo novos descaminhos? Até onde chega a liberdade de expressão, e como evitar que ela seja usada como instrumento de ataque?

Discussões como esta figuram no contexto atual como parte de um todo muito maior, mas por fim, 70 anos após o término do conflito mundial, a questão que realmente está em pauta é: o contexto político global de 2016 aceitará a publicação de Mein Kampf, ou não existe tempo o suficiente que nos capacite e fortaleça para que este torne-se um campo seguro?

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A Editora

Em seus primórdios, a Editora Perspectiva veio ao mundo com a coleção Judaica, que pretendia abordar, tanto em ficção como em pensamento, a produção milenar da existência do povo judeu.  Nosso catálogo é, mesmo com 50 anos nas costas, exclusivamente fiel ao debate de ideias e aberto ao futuro, tendo como um de seus ramos principais o judaísmo como cultura.

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O que eram as ruas da tua infância, Jacó?

Para desespero geral da família, o garoto não se entendeu com o ensino formal. Imigrante recém-chegado da Bessarábia, nunca conseguiu ser grande amigo dos ensinos convencionais. Como convencer um amante dos livros a se apaixonar pela análise sintática dos Lusíadas? Como convencê-lo a não cabular aulas para passar o dia na Biblioteca Municipal? Em entrevista dada a Revista República em 1997, Jacó se defende: fora … Continuar lendo O que eram as ruas da tua infância, Jacó?

19ª Festa do Livro USP – Editora Perspectiva

A Festa do Livro da Universidade de São Paulo é um dos eventos mais esperados do ano. Na 19ª edição, a feira será realizada nos dias 28, 29, 30 de novembro e 1º de dezembro, das 9 às 21 horas, na Avenida Prof. Mello Moraes, travessa C, na Cidade Universitária. Conheça aqui os livros disponibilizados pela Editora Perspectiva! Entre os títulos disponíveis estão nossos lançamentos mais recentes, como … Continuar lendo 19ª Festa do Livro USP – Editora Perspectiva

Sagrado, Profano, Mefistofáustico

Posia, drama e encenação se entrelaçam na fantástica fábrica de invenções haroldianas. Não é pouca coisa deparar-se com um texto inédito de Haroldo de Campos. A qualidade literária, as surpresas de linguagem, o domínio técnico por si só garantem o prazer da leitura. Mas surpreende, todavia, a atualidade crítica do texto, nos impelindo a uma compreensão trágica – bufotrágica, para usar a expressão do poeta … Continuar lendo Sagrado, Profano, Mefistofáustico